Monte Astraea
Minha mente insana já não pensava como antes, não criava conversas estratégicas como de costume. Aquelas mesmas palavras sãs não me acalmariam, mesmo depois de tantas promessas e verdades ditas naquela tarde, na frente de Maria, onde ela colocou minha mão sobre seu peito para medir a temperatura. Havia felicidade dentro dele, eu deveria estar conformada com isso, mas tudo parece se contrariar quando a nossa felicidade depende de outra pessoa. Nada pude fazer ao vê-la tocar as mãos de outra, aquele sorrisinho bobo que não aparentava ter sido costurado na pele como o meu ao vê-la longe de meus braços. E eu me trancafiava naquele quarto escuro o dia inteiro, aguardando-a, para vivenciar os únicos momentos a sós com aqueles cabelos loiros sedosos e aquele pequeno rostinho angelical.
Levantei-me da cama desarrumada. As vozes femininas que preenchiam todo o dormitório não eram mais um convite, entretanto, depois de duas semanas sobrevivendo apenas da comida que aquele par de mãos brancas e acanhadas me traziam e das luzes que atravessavam o vidro espesso da janela, talvez fosse melhor fazer a última caminhada que minhas pernas teriam. Retirei minhas meias velhas dos pés e o pijama que havia usado durante três noites seguidas para cobrir o corpo com um vestido e um casaco, ambos brancos com bordas douradas, uma camisa azul clara por baixo e um laço marrom acima do peito. O uniforme de St. Spica, tão leve, escondendo qualquer aspecto antipático que a maioria de suas estudantes possuía. Considerei-me uma aluna legítima da Spica quando notei o quanto sou egoísta ao machucar quem eu amo com a minha própria dor, já que uma de nossas características principais era pensar no quanto derrotar o inimigo era importante. Mas ela não, Hikari possuía o coração tão puro quanto as garotas que frequentavam St. Lilim.
Rodei a maçaneta, e a claridade invadiu os meus olhos. Rostos curiosos direcionaram-se a mim. Caminhei rumo à saída, sufocada por olhares confusos e cochichos atormentadores, evitando encontrar-me com qualquer conhecido. Talvez Hikari pudesse me ajudar naquele instante, mas estava ocupada. Ou melhor, o que deveria me pertencer estava ocupado. Ela disse que grande parte daquilo era meu, verdade? Quando dei-lhe um beijo por impulso, quase a perdi para sempre.
As árvores estavam como há duas semanas. Adentrei-as, seguindo a pequena trilha em direção ao lago. O mesmo permanecia igual. Nada mudara sem a minha presença, nunca mudaria. Parei próxima à beira. Estendi os braços e estiquei o corpo, como se esperasse um abraço repentino pelas costas. Ouvi uma pequena canção suave, tão bela que demorei um tempo demasiado para perceber que vinha da minha própria boca. O coral de Spica, a canção do meu pequeno anjo de olhos azuis. Naquele instante, fatos importantes de minha vida se tornaram passado.
Mergulhei devagar no lago, afundando cada vez mais, até os sapatos tocarem o solo. Segurei a respiração. Em questão de minutos, ou segundos, estaria tudo acabado.
xx
Sério, não acho que a Yaya-chan seja fraca assim, mas são 4:41 da manhã e eu precisava escrever algo pra não perder o hábito. AHAHA
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Talvez
“Talvez se em qualquer dia de minha vida eu pare de caminhar nestas ruas imundas, talvez se em qualquer hora eu possa pisar neste cigarro, talvez se em qualquer momento um carro possa me impedir de ir atrás da sua sombra, você possa me ouvir.”
L. Hiromi – Nasty Hope
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Tags: lembra de quando cantei, nicest thing pra você?
Depoimentos que escrevi
Engraçado como tentamos descrever com palavras fúteis a essência de algo/alguém mesmo sabendo que não há como realmente dizer o que ou quem é aquilo que tanto gostamos. E é exatamente por aquele alguém importar para nós, que tentamos inúmeras vezes desvendar seus mistérios, em vão. Digo isso por ter milhares de tentativas ineficazes de te descobrir totalmente, e de te enteder melhor, mas infelizmente não consigo, não posso nada mais do que pensar o começo dos seus pensamentos e sentir um pedaço da sua dor. Aliás, continuarei tentando, lutando e me machucando, porque eu te amo, e é isso que importa.
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The Virgin Suicides (1999)
Isso tudo, porém, é como caçar o vento. A essência dos suicídios não consistia em tristeza ou mistério, mas em simples egoísmo. As garotas apossaram-se de decisões que é melhor deixar entregues a Deus. Tornaram-se poderosas demais para viver conosco, preocupadas demais consigo mesmas, visionárias demais, cegas demais. O que arrastavam atrás de si não era a vida, que é sempre vencida pela morte natural, mas a mais trivial lista de fatos mundanos: um relógio na parede marcando seu tique-taque, um quarto em penumbra no fim da tarde, e a afronta de um ser humano pensando apenas em si mesmo. Seu cérebro apagando-se para o resto, mas chamejante em exatos pontos de dor, feridas pessoais, sonhos perdidos. Todas as pessoas amadas retrocedem como se afastadas sobre uma grande superfície de gelo, reduzidas a pontos pretos que agitam os braços e já não se ouvem. E então a corda lançada por cima da vida, os soníferos despejados na palma da mão onde a linha da vida é longa e mentirosa, a janela aberta, o forno ligado, qualquer coisa. Elas nos fizeram participar da sua loucura, porque não podíamos deixar de repisar seus passos, repensar seus pensamentos, e ver que nenhum deles conduzia a nós. Não podíamos imaginar o vazio de uma criatura que encosta uma navalha nos pulsos e abre as veias, o vazio e a calma. E tivemos que lambuzar nossos focinhos em suas últimas pegadas, marcas de lama no chão, malas chutadas debaixo dos corpos, tivemos que respirar para sempre o ar dos quartos em que se mataram. No final, não importa quantos anos tinham ou o fato de serem garotas, mas somente que as amamos e que elas não nos ouviram chamar, ainda não nos ouvem, aqui em cima na casa na árvore, com nossos cabelos ralos e nossas barrigas moles, chamando-as para fora daqueles quartos aonde foram ficar sozinhas para sempre, sozinhas no suicídio, que é mais fundo que a morte, e onde nunca encontraremos os pedaços para tornar a juntá-las.
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Tags: suicídio
Well darling, tonight could be a beautiful night to die.
Só me faz feliz, por favor. Não preciso transbordar de alegria. Eu só quero ser um pouco feliz! Ou eu vou sentir pra sempre essa droga de vazio. Não fica comigo, não, não faz isso.
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Nicest Thing
Tudo que eu sei é que você é tão adorável
Você é a coisa mais adorável que já vi
Eu queria que nós levássemos isso adiante
Ver se podemos ser algo.
Eu queria que eu fosse a sua garota favorita
Eu queria que você pensasse que eu sou a sua razão de estar no mundo
Eu queria que meu sorriso fosse o seu sorriso favorito
Eu queria que a maneira como eu me visto fosse o seu estilo favorito
Eu queria que você não conseguisse me entender
Mas sempre quisesse saber como eu sou
Eu queria que você segurasse a minha mão quando eu estivesse chateada
Eu queria que você nunca esquecesse
o meu olhar quando nos vimos pela primeira vez
Eu queria que tivesse uma marquinha na pele de que você gostasse secretamente
Porque estaria num lugar escondido onde ninguém poderia ver
Basicamente, eu queria que você me amasse
Eu queria que você precisasse de mim
Eu queria que você entendesse que,
quando eu pedisse dois torrões de açúcar, na verdade eu queria três
Eu queria que sem mim o seu coração se partisse
Eu queria que sem mim você passasse toda suas noites acordado
Eu queria que sem mim você não pudesse comer
Eu queria ser a última coisa em que você pensasse antes de dormir
Tudo que eu sei é que você é a coisa mais adorável que eu já vi
Eu queria que nós pudéssemos ser algo
Eu queria que nós pudéssemos ser algo.
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Tags: algo, desejo, egoísmo, kate nash, nicest thing
Anseio
Queria ter você aqui do meu lado. Fere por dentro, a navalha.
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Pesadelo Pérfido
Silêncio.
Para a vereda lúgubre seguiam os passos
Em ritmo pérfido e traiçoeiro
Na mente os sonhos apagados, no papel
Gravados com o próprio sangue
Confiando na idéia em que cria,
Mais do que nas propostas da própria religião,
De que não era provido apenas do ódio
Que costumava sentir por tudo o que amava
Quando rodeado estava por corpos enlameados
Que imploravam-lhe por carne e infortúnio.
Mas pouco se importava o homem
Em conceder-lhes tudo o que podia
Consagrando cada passo que guiavam-no ao inferno
E limpando as gotas de rubi que corriam sobre a testa
Evitando recordar-se de sua potomania.
Com seu comportamento patológico
Espiava as sombras da madrugada
Enquanto seus passos imundos,
Mais insensatos que o próprio,
Levavam-no ao encontro da insanidade
Para novamente sentir-se saciado.
x
Sim, fui eu quem fiz.
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Cartas I
Este é meu mundo estranho, esta é a minha mente enferrujada. E aquele é o meu amor, o meu viver. Eu perdi tudo isso, tudo o que poderia chamar de sagrado. Perdi meu sangue e o meu ar. Andei para longe das árvores. Fugi. Fugi dos compromissos e das pessoas. Eu morri, e morri porque quis. Isso é morrer? Sim, ou melhor, quase. É desperdício de vida, entretanto, no meu caso, foi apenas mais uma vida inútil jogada fora.
Eu pequei. Viver sem pecar é o mesmo que viver em um mundo de regras e limitações. Não preciso mais de regras, eu morri. Morri com a faca que eu mesma cravei em meu peito. Fui levada pela tentação de morrer. E cá estou. Não é o céu, nem o inferno. É um vazio absoluto, uma escuridão na qual eu me perdi.
Preciso voltar.
Estava cansada de viver.
Mas agora, estou cansada de morrer.
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Lugar distante
Vou começar, se apresse
Não é só porque você faz
Que também vou fazer, verdade
A noite passa
No início me esforço,
Mas no fim
Dá na mesma, verdade
Os dias passam
Aos poucos
Abro os meus sentimentos
Se me aproximar
Entenderá melhor!
Te acompanhando
Mesmo que não dê certo
Com passos complicados
É melhor que nada
Não me importando que demore
Posso obrigar
E ter outra pessoa
Mas se não for você
Não me significa nada
Mas você parece estar mais distante!
O seu mundo de mentiras
Que acreditei
Quero apagar
Apagar…
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